12.6.12

Quando o ninguém te chama


E sabes aquela voz
Que tu juras ter ouvido?
É a minha voz que ecoa
Por todos os teus sentidos.


L.M.
2005

Pregadas na parede

Estantes acumulam instantes,
Num momento, tão distantes...
A foto no porta-retrato, um contrato
Do tempo que não vai mais voltar...
Nem crença, nem fé, ou bater o pé
Nem indiferença, marcha ré, o faz ré-tornar

L.M.
28/05/2012

9.5.12

Crescendo...

Essa cara de menina, que saudade me da
Esses olhos, os brinquinhos, o sorriso
A inocência que eu tinha, que ela teve
Que insiste em tomar de volta espaço
Mas já não há mais o cativo-amado lugar
E fica só esse cheiro, só esse cheiro
de gente grande, de crescer, de saber,
de melancolia, de alma vazia, de tudo que vinha
tinha, existia, fazia e todos os outros ias
de um passado tão perfeito, do que era
Era. pretérito de nunca mais voltar...




L.M.
09/05/2012

27.4.12

Desejo a você, meu amor

Que o meu amor não se espante
Nem se retorça, se intimide, com menos que uma ameaça
uma promessa, um juramento de meter-lhe a faca no peito e deixa-lo aberto...

Que o meu amor não se desfaça
Nem se faça de bobo, de esperto, ou qualquer outra mentira
Enfeitada e florida, que se coloca na janela pra se esconder da vida...

Que o meu amor não se deixe
Nem se feche, nem se esquive de nada além da crueldade
Desse cotidiano, que nos enfiam na cara, mesmo sendo tão insano...

Que o meu amor não se entregue
Pelo contrário, que incansavelmente insista em se machucar
Pra que
mais tarde não enlouqueça e nesse mundo seja só mais um covarde...

Que o meu amor não se vá
Mas que fiquei e chore, que se escangalhe, que insista em ser
Esse amor sorrateiro, que chega devagar e pula de cabeça num eterno desfiladeiro...

Que por fim o meu amor se ame!

L.M.
27/04/2012

15.4.12

Deixa O Tempo

Meus olhos lhe suplicam outro olhar, suplicam sim
Esses olhos cansados, cheio de areia, lhe rogam
Um tanto quanto inofensivos, dependentes
Mais um sorriso de olhar, e mais um apenas
Ainda que me queiram outros milhares, infindáveis;
Ter apenas mais um, só um por vez já me aquieta a alma
Hesitante outrora, acorrentada era, com sorrisos forçados
Estampados no rosto essas alegrias não reais, se foram...
Ultra-romântico, ultra-sensível, ultra-real
São esses teus olhos assim, me sorrindo...

L.M.
15/04/2012

14.4.12

Jurei

Eu jurei a mim mesma
não chorar por mais ninguém
que não soubesse do meu amor
Jurei e jurei não chorar mais com fervor
Chorei tanto em vão que perdi a razão
e esqueci o que jurei
E assim, esquecendo de vez
Chorei 1, 2, 3...
Mas não desisti, e jurei...
E eu continuo jurando
e dizendo que não vou mais pensar,
que não vou viver de passado,
que tudo está acabado
e de nada mais eu vou lembrar,
Mas a alma grita e recorda
e a memória logo brota
e eu lembro da súplica no meu olhar..
Eu lembro do coração batendo acelerado
e o meu corpo todo acomodado
na vontade de te amar...
E quando tudo enfim terminou
Eu pensei que toda aquela dor
iria embora sem eu pedir,
E confesso que foi embora,
mas da pior maneira que eu já senti...
E agora, atormentada minh'alma piora
e por fim eu vivo este desefecho
em que consegui cumprir o meu desejo...
mas, doi tanto o meu grito abafar
Que eu daria tudo,tudo, tudo,
pra poder, só mais uma vez, chorar...



L.M.
29/11/09

Assassinando-me

E agora, acredita quando eu disse que não ia voltar?
Que o meu quarto então ia ficar intocado
E você se lamentando por eu te deixar...
Leva embora a alma, a morte fria
E o corpo sem força se faz ecoar
na cabeça, insanamente a imagem brilha
olhos vazios, coração parado, sem respirar
rola pro canto a faca molhada
poça, vermelho viçoso, começa a se formar...


L.M.
19/02/12

Inerte

o corpo inerte já não chora mais
seu rosto eu não conheço
suas mãos estão tão pálidas

o corpo inerte já não chora mais
seus olhos não se movem
seus pés não caminham

o corpo inerte já não chora mais
sua respiração não ofega
seus lábios não falam

o corpo inerte já não chora mais
o corpo inerte já não chora
o corpo inerte

o corpo inerte já não ama mais

L.M.
22/05/11

Como se deu a minha embriaguez

Já era tarde pra ser
A esperança aflita se foi sem mais euforia ou canção
o coração palpitava, só pela dor
Me faltava o pedaço direito, pedaço decente, de gente
aquele pedaço de aconchego, desejo, insanidade
que os lábios nem sentem mais, que os olhos bem quietos nem procuram
esse mesmo que o corpo rejeita nos abraços, nos laços, na voz
Cada pedaço que sobra se recolhe, se encolhe, se desfaz
As unhas se acabam, a pele eriçada
sem motivação, sem nada, sem nada
Não poder ter, não poder ser, não poder e não querer
Já era tarde, já era bem tarde...
E sendo tarde assim, o meu eu - lírico mortificava-se um pouco mais
Com aquele montante de idéias que já não se faziam
Esses sonhos mal sonhados que ficam dentro da gente
que nos perturbam, tiram a paz, tiram o sono, e o sonho
com essa maneira irônica, ironia, ironia
essa maneira infindável de nos apagarmos, apegarmos
e não saber como soltar pra deixar essa desgraça ir embora
Foi num desses turbilhões de pensamentos
que a tua presença se chegou, sentou, tomou lugar
Deu assim aquele suspiro e meio de pensamento mal formulado
deu a voz, o calor
Tendo sido assim, lá se foi embora aquela que me protegia o rosto
cujos olhos vazios, vazados, nada diziam, nada enxergavam
Rendendo-me todos os sentidos por fora, por dentro
Acordando os meus sorrisos incontroláveis
Dando-me enfim, não lagartas, mas belas e lindas borboletas
Dessas que costumamos guardar no estomago...


L.M.
12/04/2012

7.4.12

Só mais uma...




                                            Eu vou Inutilmente me deixando envolver
                               Por esse teu caLor, braços e abraços
                          Descontroladas, qUase distorcidas essas sensações
                                          Num miSto de vontade, saudade, alegria
                                                   NÃo me preocupando, me deixando ficar
                                      EsperandO não ser só mais uma...


L.M.
07/04/2012

Centésima vez



 E você não me causa ansiedade
Sem sentimento insano, arrebatador
Sem esse desespero controlador
Só uma gostosa e bonita saudade

A voz ecoando em minha cabeça
Essa ausência toda tua, não sentida
Relembrada, o toque das mãos queridas
Mesmo que a tua imagem não me apareça

E saem os versos soltos assim
Conversam comigo, contam pra mim
E falam, falam sem nunca cansar

Concedo-te então por mais uma vez
Outro dia longe, numa insensatez
Esperando a ausência enfim acabar...


L.M.
07/04/2012

1.4.12

Cativante

Me encanta tanto, de um jeito espontâneo, essa tua voz,
Assim tão doce, sempre meio quieta, sendo quase inaudível
Rouca, saindo dos lábios, sussurrada. Esse tom que me agarra, me agrada
Conquistando os meus ouvidos sorrateiramente
Ouvidos estes que não se prendem sem motivo
Senão aguçados pela música...
Música...
Assim me soa então, mesmo sem nem perceber
Tua voz me aconchega; Se achega e me faz divagar
Habilmente me arranca dos meus pensamentos, sem sacrifício, sem demora
E lá volto eu pra ouvir mais desse teu jeito de falar...
Uns são assim mesmo, só se apresentam, dizem o nome;
Sem muito floreio, sem dar voltas, arrumam logo um espaço no coração... E então, ficam.
L.M.
01/04/12

Música


É tudo música.

A porta batendo na raiva, com choro, com grito

O telefone que toca, com a mensagem confortante

e as palavras sussurradas, disfarçadas...

É então que se da à memória a melodia pra lembrar

o ritmo dos passos descendo a escada correndo

com a pressa de chegar, se tocar, se abraçar...

É tudo música.

Uns acordes juntos, pausas, notas, claves

É música também, mas essa música da vida

feita do som da respiração ofegante,

do barulho dos beijos ardentes, e quentes, molhados

do grunhido, do murmúrio

 Essa sim é a música que se forma...

Sons de mim, sons de ti

de corpos, de mentes, de olhos

ruídos de pele roçando, esquentando

barulhos de unhas que arranham,

arfando, mordendo, lambendo...

É tudo música.

Os pés sorrateiros,

as risadas baixinhas,

os toques das mãos ...

É tudo música

As vezes, quase imperceptível,

mas ainda assim, quando nenhum som se pode ouvir,

ainda assim, há música.

Sempre, é tudo música.



L.M.

01/04/12

Lembro

É bem assim à noite
É bem assim...
Que se encontram os cheiros, desejos e paixões
Com a cabeça no travesseiro e as mil pulsações
Suspirando
Sus... Pirando
Só.
Revira os olhos, implora, e pede
Os lábios apertados, a dor cede

Vai até lá,
E diz
Tudo que a minha coragem não consegue dizer
Essa coragem ensandecida, sem graça, sem sal, mosca morta

Vai até lá,
E faz
O que fica correndo só na minha mente
Nas minhas veias
No meu cobertor emaranhado nas minhas pernas, mãos, rosto
Abafando o que eu chamo de choro
Essa miserável condição em que me encontro

Grita bem baixinho no ouvido
Acorda as pupilas no susto, no desespero
A falta de ar, a sobra de ar, o descompasso
O mundo preto, a tela preta, azulado de céu

Volta os sentidos pra ela, volta
Esfrega os olhos, a mão na testa, a mão nos olhos
A mão na mão, no palpitar
Respira, o ar vai fundo, devagar
Volta rápido, num sopro, num alívio

Dorme.

É... É bem assim à noite,
É bem assim...
L.M.
31/03/12

26.3.12

Soneto de mim





E arrancada então de meu próprio corpo
Grito, alucinada, os olhos apertados
Engasgo em pensamentos revirados
Tão desesperada, o que sou, corrompo


Voltando a mim mesma em outro instante
Sinto doer, batendo o coração
Peito pequeno, tanta pulsação
Choro entalado como agravante


Rosto molhado, sem razão ou motivo
Meus dedos, os dentes, corpo tremendo
Arrebatada, um suspiro massivo


A vontade, deixo me corroendo
Vai-se toda a cor, fica só o espanto
Desisto por fim, meu fim; Desencanto


L.M.
26/03/2012

23.3.12

Dívida



Juro! Na verdade, se juro é coisa que não sei,
O que digo não precisa de meu sincero juramento
Só minha honra basta, só meu olhar já chega
Enquanto houver o som, a luz, o vento, não m'importa!
Lembrarei. Por todos os dias, eu lembrarei.
Unicamente porque digno e necessário me parece ser
Incorporar, fundir, no âmago da minha existência,
Zelar, pelo sorriso que plantei nos lábios de alguém...

L.M.

21 de março de 2012