1.4.12

Lembro

É bem assim à noite
É bem assim...
Que se encontram os cheiros, desejos e paixões
Com a cabeça no travesseiro e as mil pulsações
Suspirando
Sus... Pirando
Só.
Revira os olhos, implora, e pede
Os lábios apertados, a dor cede

Vai até lá,
E diz
Tudo que a minha coragem não consegue dizer
Essa coragem ensandecida, sem graça, sem sal, mosca morta

Vai até lá,
E faz
O que fica correndo só na minha mente
Nas minhas veias
No meu cobertor emaranhado nas minhas pernas, mãos, rosto
Abafando o que eu chamo de choro
Essa miserável condição em que me encontro

Grita bem baixinho no ouvido
Acorda as pupilas no susto, no desespero
A falta de ar, a sobra de ar, o descompasso
O mundo preto, a tela preta, azulado de céu

Volta os sentidos pra ela, volta
Esfrega os olhos, a mão na testa, a mão nos olhos
A mão na mão, no palpitar
Respira, o ar vai fundo, devagar
Volta rápido, num sopro, num alívio

Dorme.

É... É bem assim à noite,
É bem assim...
L.M.
31/03/12

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