15.4.11

No fim


No fim, o arrependimento queima por dentro. Mas eu continuo desenhando com as minhas palavras tudo que vai no meu ser. No fim, eu me culpo por ter escrito esse ou aquele poema, essa ou aquela rima. No fim, eu só preciso desabafar, e como funciona...
Devo dizer que muitas vezes, foi essa a saída pra tudo aquilo que me deixava tonta... Tudo que girava na minha cabeça, sai como mágica direto pras letras...
Afinal, não se pode ter tudo...
Parece sempre uma reviravolta viciante, algo ensandecedor... De alguma forma, apesar da angustia, ainda quero isso...  Ainda quero revirar as coisas e suporta-las e repeti-las... Sempre foi assim, e provavelmente, sempre será...

16.3.11



Dor nenhuma é maior que a dor da surpresa.
Aos que me conhecem sabem que admiro as armas brancas. Pois bem, sendo eu amante de tão belo trabalho, imagino-me sentada a varanda a ler um livro qualquer. Talvez Helena de Machado de Assis, já que me encanta a história e os personagens.
Pronto, estou a ler quando uma figura conhecida e que muito estimo se aproxima com um sorriso no rosto. Esbanjando felicidade para todos os lados.Nas mãos dessa pessoa, um punhal. Trabalhado, detalhado, numa bonita caixa de vidro com um laço vermelho com desenhos prateados.
A caixa é oferecida a mim. Um sorriso brota nos meus lábios, a felicidade brilha em meus olhos. Com toda a alegria que consome e os lábios cheios de vontade, eu pergunto "pra mim?". Ao passo que a pessoa balança negativamente a cabeça com seu belo sorriso. Abre a caixa lentamente e saca o punhal. Em segundos preciosos apenas posso sentir meu corpo sangrar. Uma punhalada no peito. Por quê?!
Eu me pergunto a todo momento. Talvez, algo que eu tenha dito ou feito. Aos poucos perco os sentidos e a última imagem que tenho e posso ver, é a sombra de alguém partindo.
Abro os olhos. Por alguns poucos segundos em que estive longe da realidade,  pude sentir a dor como se fosse real. Os olhos piscam algumas vezes, tentando conter as lágrimas que por fim foram mais fortes. Molha o rosto, as mãos... A respiração falha por alguns segundos. O peito arfando e queimando de dor me deixa estática. Em apenas um segundo, eu pude sentir que prezo mais a vida do que sempre imaginei. Tenho mais amor ao que sinto e faço valer do que a própria morte, solução pra muitas coisas às vezes.
Enfim, defino-me como eterna amante dos dias e das noites que contei. Creio que não mudaria nenhuma delas e agora tenho a plena certeza de que me faria falta qualquer uma das emoções sentidas frias ou quentes na pele. Até os dias que me fizeram sentir a mais triste e insignificante das criaturas. Até as noites que me fizeram chorar.
Sem qualquer um desses acontecimentos, jamais sentiria o que sinto. Tampouco saberia descrever os sentimentos que afloram e por muitos são mal explicados. Muitas vezes, por faltarem palavras ou ainda por sobrarem e não se saber seleciona-las. Então, como que por uma ligação, me vem a boca as melhores frases para expressar o que a mente pensa e os melhores verbos para conjugar o viver. Logo, sinto um alívio no peito por saber dizer tudo que aflige a alma.
Portanto, creio que não só faria falta a minha presença a mim mesma num pseudo-paradoxo, mas também àqueles que um dia choravam e eu pude por-lhes um sorriso no rosto. Afinal, as vezes a gente precisa mesmo sorrir chorando.

23/08/2007
L.M.

23.1.11

Será, o que há de ser



Será que eles ainda acreditam no amor?
Será que lhes dói o coração? 
Será que choram chuvas de lamentos?
Não se sabe, não se ve...

Talvez deixem só os seus próprios olhos
encarregados de toda a emoção...
Talvez nem tenham sentimentos...
Não se pode saber.

Sinto falta dos abraços,
dos laços sem dor...
Quem levou embora o que me matava?
Quem deixou a ferida aberta afinal?

E vale a pena sofrer?
Onde estão as regras?
Mostrem-me o contrato
ou me recuso a deixar de amar...