30.9.10

O (meu) valor das pequenas coisas




Quando a porta se fecha e o ônibus segue viagem, eu paro mais uma última vez e procuro um pedaço de pele, de casaco, de sapato que seja meu maior bem. Procuro uma última visão, um último aceno, uma piscadela qualquer. Eu atravesso a roleta e ando sem olhar bem pra onde, apenas esperando encarar mais uma vez os mesmo olhos doces. Nem sempre se tem.
Há quem diga que o valor da vida está nas pequenas coisas, e pra mim, são essas que mais mexem comigo. Um até logo demorado, um beijo na testa. Mas também o contrário. Quando não tem adeus demorado, sem beijo na testa. Me deixa mais desestabilizada que quando se tem, então posso dizer que é o meu valor das pequenas coisas.
Eu gosto de um abraço apertado, de um choramingo de quem não quer partir, gosto de ver no olhar a vontade de ficar pra trás. É o preço que se paga pra ser sentimental.
Às vezes tudo isso me soa como grande bobagem, eu me enfio na cobertas e aperto os olhos pra não deixar o rosto molhar. Vou dormir, afinal é noite e eu já esqueci as pequenas coisas até de manhã...

2.9.10

"O presente sempre se muda
Ora mora aqui, ora mora lá
Vai indo pro passado
E deixando a saudade ficar..."

Foi nesse ponto que eu desisti do poema. Na verdade, um texto cairia muito melhor... Parece que me falta um pedaço quando não está por aqui...
Até as minhas palavras se embolam na cabeça e eu já não sei o que sentia...

Definitivamente preciso de uma dose extra da sua presença...