30.4.10


Ausência
 
Vejo ir embora sob o tempo frio
Um pedaço meu, que há de voltar
Mas dói e deixa o peito vazio
Que nem sei se terei forças pra esperar

 
Perder de vista o que lhe faz bem
Sem escolher, sem se quer controlar
As cores desbotam, não há mais ninguém
Fogem pra longe, pra outro lugar

 
E fingindo bem a sanidade eterna,
Figura que eu sequer conheço,
Tenho uma grande ilusão fraterna
Me relembro de tudo, e volto ao começo

 
E vejo ir embora sob o tempo frio
O melhor pedaço meu, que há de voltar
Mas dói tanto, tanto, e deixa o peito vazio
Que nem sei se terei forças pra esperar...

 

 
L.M.

22.4.10

Eu, detetive



Eu era só papel. Era só caixas, só invenções do meu próprio ser. Era feita de morangos, de chocolate, de andanças pelo mundo. Tinha cheiro de almas passadas, de recordações infantis e de abraços apertados. Daí, resolvi que ia ser diferente. E comecei a me enviar por entre as frestas de vidas quebradas e pensamentos picotados. Virei parasita. E me infiltrando na verdade particular de cada um desse mundo, achei um dom perdido. Empoeirado e lacrado, de um jeito meio único, meio evidente. Estava lá, pra ser tomado por um coração qualquer, que precisasse de ajuda.

Assim começou meu eu detetive. Depois daquele dom de uma tarde inteira de prantos e falta de ar. Senti um frio na barriga, uma dor no peito, um sei-lá-o-que. Me arrependi da falta do talento, da negligencia com os que passaram, com os que choraram ao meu lado implorando um olhar sincero. E doeu até o último fio de alma, até o último suspiro. Fiz aquela promessa. Começou ali, e continuou. Já não era parasita. Segui assim sem parar, sem pensar e só sentindo. Havia uma meta a alcançar, e levaria muito tempo. O passado não volta e o futuro não se sabe, resta só o presente, que envelhece e se renova instantaneamente bem na nossa cara.

Dei assim meus primeiros passos. Entrei nas primeiras vidas de um jeito particular, meio atrapalhado, sem saber o que fazer. Depois peguei o jeito, e hoje apareço, me apresento e me dou de amiga, de graça, de presente. Por quê? Porque minha alma grita por isso, meu coração implora por se doar. E cada doação é única, nova, diferente. Só permanecem o dom e eu. Todo o resto se troca e se confunde. Mas é delicioso fazer parte dessas vidas, uma de cada vez...

É assim, o meu eu detetive não cobra o trabalho, não cansa de andar, vive tomando pancada, soco, pontapé. Aprendeu até a gostar, porque sempre que passa por tudo isso, é por estar no caminho certo, e isso ninguém pode levar. 

Hoje sou feita de sonhos, de beijos, abraços. Sou de pedaços de ilusão, de prantos, de felicidade. De cafuné, cortes de cabelo, pinturas inacabadas e desenhos rascunhados. Tenho cheiro de começo novo, de acreditar, de coração batendo. E não quero mudar. Afinal, virei viciada e dependente desse dom maravilhoso que os homens chamam amor.

14.4.10

Quando o passado se faz presente, dói na alma deixa-lo ir...

Fotos, dizeres, memórias... Palavras vagueiam na mente e embrulham o estomago...

NÃO!

Te faz querer gritar... Agarra-lo pelos pés e se jogar no chão. Implora-lo para que não o deixe... Afinal você não conhece o futuro...

Saudade...

Por que dói tanto?



Por que dói?



Precisam inventar anestesia pra quem se apega...


7.4.10


Definições sobre os pensamentos frenéticos de uma mente inquieta...


Não há nada que possa ser mais incrível e assustador...



Num montante de idéias paradoxais...

Medo afeta seus passos...

Seus pensamentos...
 suas variáveis vitais...

Acelera o coração mais do que deveria, mais do que poderia....


Te faz vagar no seu próprio eu...

na sua insegurança...


E ironicamente conseguimos ser decididamente confusos...

Vivendo um eterno momento 
paradoxal...


Assustador não?...

Talvez as idéias se arrumem e se firmem... Sem essa coisa toda de dificuldade....

Sem essa idéia toda de Medo...

2.4.10



Aquela sensação de dependencia invade o meu ser
Arrebata minha alma e me faz devanear em pensamentos...





  Melhor que isso só quando me volto a realidade e vejo ser melhor que meus sonhos...