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30.3.13

Ementa da pernoite



Talvez eu não seja feita pra pensar
Mas pra sentir amiúde, essa erosão
Que o tempo não cura
Só esconde, entrementes, só disfarça
tic, tac, tic, tac, tic,
taquicardia,
tic, tac, tic, tac, tique, mania
E de repente,
trim, trim, trinca
Desperta a dor
Hora de a cor, dar, vermelha, aos lábios
Doravante, de acordar




L.M.
26/03/13

12.6.12

Pregadas na parede

Estantes acumulam instantes,
Num momento, tão distantes...
A foto no porta-retrato, um contrato
Do tempo que não vai mais voltar...
Nem crença, nem fé, ou bater o pé
Nem indiferença, marcha ré, o faz ré-tornar

L.M.
28/05/2012

9.5.12

Crescendo...

Essa cara de menina, que saudade me da
Esses olhos, os brinquinhos, o sorriso
A inocência que eu tinha, que ela teve
Que insiste em tomar de volta espaço
Mas já não há mais o cativo-amado lugar
E fica só esse cheiro, só esse cheiro
de gente grande, de crescer, de saber,
de melancolia, de alma vazia, de tudo que vinha
tinha, existia, fazia e todos os outros ias
de um passado tão perfeito, do que era
Era. pretérito de nunca mais voltar...




L.M.
09/05/2012

14.4.12

Assassinando-me

E agora, acredita quando eu disse que não ia voltar?
Que o meu quarto então ia ficar intocado
E você se lamentando por eu te deixar...
Leva embora a alma, a morte fria
E o corpo sem força se faz ecoar
na cabeça, insanamente a imagem brilha
olhos vazios, coração parado, sem respirar
rola pro canto a faca molhada
poça, vermelho viçoso, começa a se formar...


L.M.
19/02/12

Inerte

o corpo inerte já não chora mais
seu rosto eu não conheço
suas mãos estão tão pálidas

o corpo inerte já não chora mais
seus olhos não se movem
seus pés não caminham

o corpo inerte já não chora mais
sua respiração não ofega
seus lábios não falam

o corpo inerte já não chora mais
o corpo inerte já não chora
o corpo inerte

o corpo inerte já não ama mais

L.M.
22/05/11

Como se deu a minha embriaguez

Já era tarde pra ser
A esperança aflita se foi sem mais euforia ou canção
o coração palpitava, só pela dor
Me faltava o pedaço direito, pedaço decente, de gente
aquele pedaço de aconchego, desejo, insanidade
que os lábios nem sentem mais, que os olhos bem quietos nem procuram
esse mesmo que o corpo rejeita nos abraços, nos laços, na voz
Cada pedaço que sobra se recolhe, se encolhe, se desfaz
As unhas se acabam, a pele eriçada
sem motivação, sem nada, sem nada
Não poder ter, não poder ser, não poder e não querer
Já era tarde, já era bem tarde...
E sendo tarde assim, o meu eu - lírico mortificava-se um pouco mais
Com aquele montante de idéias que já não se faziam
Esses sonhos mal sonhados que ficam dentro da gente
que nos perturbam, tiram a paz, tiram o sono, e o sonho
com essa maneira irônica, ironia, ironia
essa maneira infindável de nos apagarmos, apegarmos
e não saber como soltar pra deixar essa desgraça ir embora
Foi num desses turbilhões de pensamentos
que a tua presença se chegou, sentou, tomou lugar
Deu assim aquele suspiro e meio de pensamento mal formulado
deu a voz, o calor
Tendo sido assim, lá se foi embora aquela que me protegia o rosto
cujos olhos vazios, vazados, nada diziam, nada enxergavam
Rendendo-me todos os sentidos por fora, por dentro
Acordando os meus sorrisos incontroláveis
Dando-me enfim, não lagartas, mas belas e lindas borboletas
Dessas que costumamos guardar no estomago...


L.M.
12/04/2012

Egolatria

Tenho a alma pesada, cansada, em histeria Palavras presas'esse corpo Se'spremendo pela liberdade Enquanto tento manter algum res...