14.4.12

Inerte

o corpo inerte já não chora mais
seu rosto eu não conheço
suas mãos estão tão pálidas

o corpo inerte já não chora mais
seus olhos não se movem
seus pés não caminham

o corpo inerte já não chora mais
sua respiração não ofega
seus lábios não falam

o corpo inerte já não chora mais
o corpo inerte já não chora
o corpo inerte

o corpo inerte já não ama mais

L.M.
22/05/11

Como se deu a minha embriaguez

Já era tarde pra ser
A esperança aflita se foi sem mais euforia ou canção
o coração palpitava, só pela dor
Me faltava o pedaço direito, pedaço decente, de gente
aquele pedaço de aconchego, desejo, insanidade
que os lábios nem sentem mais, que os olhos bem quietos nem procuram
esse mesmo que o corpo rejeita nos abraços, nos laços, na voz
Cada pedaço que sobra se recolhe, se encolhe, se desfaz
As unhas se acabam, a pele eriçada
sem motivação, sem nada, sem nada
Não poder ter, não poder ser, não poder e não querer
Já era tarde, já era bem tarde...
E sendo tarde assim, o meu eu - lírico mortificava-se um pouco mais
Com aquele montante de idéias que já não se faziam
Esses sonhos mal sonhados que ficam dentro da gente
que nos perturbam, tiram a paz, tiram o sono, e o sonho
com essa maneira irônica, ironia, ironia
essa maneira infindável de nos apagarmos, apegarmos
e não saber como soltar pra deixar essa desgraça ir embora
Foi num desses turbilhões de pensamentos
que a tua presença se chegou, sentou, tomou lugar
Deu assim aquele suspiro e meio de pensamento mal formulado
deu a voz, o calor
Tendo sido assim, lá se foi embora aquela que me protegia o rosto
cujos olhos vazios, vazados, nada diziam, nada enxergavam
Rendendo-me todos os sentidos por fora, por dentro
Acordando os meus sorrisos incontroláveis
Dando-me enfim, não lagartas, mas belas e lindas borboletas
Dessas que costumamos guardar no estomago...


L.M.
12/04/2012

7.4.12

Só mais uma...




                                            Eu vou Inutilmente me deixando envolver
                               Por esse teu caLor, braços e abraços
                          Descontroladas, qUase distorcidas essas sensações
                                          Num miSto de vontade, saudade, alegria
                                                   NÃo me preocupando, me deixando ficar
                                      EsperandO não ser só mais uma...


L.M.
07/04/2012

Centésima vez



 E você não me causa ansiedade
Sem sentimento insano, arrebatador
Sem esse desespero controlador
Só uma gostosa e bonita saudade

A voz ecoando em minha cabeça
Essa ausência toda tua, não sentida
Relembrada, o toque das mãos queridas
Mesmo que a tua imagem não me apareça

E saem os versos soltos assim
Conversam comigo, contam pra mim
E falam, falam sem nunca cansar

Concedo-te então por mais uma vez
Outro dia longe, numa insensatez
Esperando a ausência enfim acabar...


L.M.
07/04/2012

1.4.12

Cativante

Me encanta tanto, de um jeito espontâneo, essa tua voz,
Assim tão doce, sempre meio quieta, sendo quase inaudível
Rouca, saindo dos lábios, sussurrada. Esse tom que me agarra, me agrada
Conquistando os meus ouvidos sorrateiramente
Ouvidos estes que não se prendem sem motivo
Senão aguçados pela música...
Música...
Assim me soa então, mesmo sem nem perceber
Tua voz me aconchega; Se achega e me faz divagar
Habilmente me arranca dos meus pensamentos, sem sacrifício, sem demora
E lá volto eu pra ouvir mais desse teu jeito de falar...
Uns são assim mesmo, só se apresentam, dizem o nome;
Sem muito floreio, sem dar voltas, arrumam logo um espaço no coração... E então, ficam.
L.M.
01/04/12

Música


É tudo música.

A porta batendo na raiva, com choro, com grito

O telefone que toca, com a mensagem confortante

e as palavras sussurradas, disfarçadas...

É então que se da à memória a melodia pra lembrar

o ritmo dos passos descendo a escada correndo

com a pressa de chegar, se tocar, se abraçar...

É tudo música.

Uns acordes juntos, pausas, notas, claves

É música também, mas essa música da vida

feita do som da respiração ofegante,

do barulho dos beijos ardentes, e quentes, molhados

do grunhido, do murmúrio

 Essa sim é a música que se forma...

Sons de mim, sons de ti

de corpos, de mentes, de olhos

ruídos de pele roçando, esquentando

barulhos de unhas que arranham,

arfando, mordendo, lambendo...

É tudo música.

Os pés sorrateiros,

as risadas baixinhas,

os toques das mãos ...

É tudo música

As vezes, quase imperceptível,

mas ainda assim, quando nenhum som se pode ouvir,

ainda assim, há música.

Sempre, é tudo música.



L.M.

01/04/12

Lembro

É bem assim à noite
É bem assim...
Que se encontram os cheiros, desejos e paixões
Com a cabeça no travesseiro e as mil pulsações
Suspirando
Sus... Pirando
Só.
Revira os olhos, implora, e pede
Os lábios apertados, a dor cede

Vai até lá,
E diz
Tudo que a minha coragem não consegue dizer
Essa coragem ensandecida, sem graça, sem sal, mosca morta

Vai até lá,
E faz
O que fica correndo só na minha mente
Nas minhas veias
No meu cobertor emaranhado nas minhas pernas, mãos, rosto
Abafando o que eu chamo de choro
Essa miserável condição em que me encontro

Grita bem baixinho no ouvido
Acorda as pupilas no susto, no desespero
A falta de ar, a sobra de ar, o descompasso
O mundo preto, a tela preta, azulado de céu

Volta os sentidos pra ela, volta
Esfrega os olhos, a mão na testa, a mão nos olhos
A mão na mão, no palpitar
Respira, o ar vai fundo, devagar
Volta rápido, num sopro, num alívio

Dorme.

É... É bem assim à noite,
É bem assim...
L.M.
31/03/12

26.3.12

Soneto de mim





E arrancada então de meu próprio corpo
Grito, alucinada, os olhos apertados
Engasgo em pensamentos revirados
Tão desesperada, o que sou, corrompo


Voltando a mim mesma em outro instante
Sinto doer, batendo o coração
Peito pequeno, tanta pulsação
Choro entalado como agravante


Rosto molhado, sem razão ou motivo
Meus dedos, os dentes, corpo tremendo
Arrebatada, um suspiro massivo


A vontade, deixo me corroendo
Vai-se toda a cor, fica só o espanto
Desisto por fim, meu fim; Desencanto


L.M.
26/03/2012

23.3.12

Dívida



Juro! Na verdade, se juro é coisa que não sei,
O que digo não precisa de meu sincero juramento
Só minha honra basta, só meu olhar já chega
Enquanto houver o som, a luz, o vento, não m'importa!
Lembrarei. Por todos os dias, eu lembrarei.
Unicamente porque digno e necessário me parece ser
Incorporar, fundir, no âmago da minha existência,
Zelar, pelo sorriso que plantei nos lábios de alguém...

L.M.

21 de março de 2012

15.4.11

No fim


No fim, o arrependimento queima por dentro. Mas eu continuo desenhando com as minhas palavras tudo que vai no meu ser. No fim, eu me culpo por ter escrito esse ou aquele poema, essa ou aquela rima. No fim, eu só preciso desabafar, e como funciona...
Devo dizer que muitas vezes, foi essa a saída pra tudo aquilo que me deixava tonta... Tudo que girava na minha cabeça, sai como mágica direto pras letras...
Afinal, não se pode ter tudo...
Parece sempre uma reviravolta viciante, algo ensandecedor... De alguma forma, apesar da angustia, ainda quero isso...  Ainda quero revirar as coisas e suporta-las e repeti-las... Sempre foi assim, e provavelmente, sempre será...

16.3.11



Dor nenhuma é maior que a dor da surpresa.
Aos que me conhecem sabem que admiro as armas brancas. Pois bem, sendo eu amante de tão belo trabalho, imagino-me sentada a varanda a ler um livro qualquer. Talvez Helena de Machado de Assis, já que me encanta a história e os personagens.
Pronto, estou a ler quando uma figura conhecida e que muito estimo se aproxima com um sorriso no rosto. Esbanjando felicidade para todos os lados.Nas mãos dessa pessoa, um punhal. Trabalhado, detalhado, numa bonita caixa de vidro com um laço vermelho com desenhos prateados.
A caixa é oferecida a mim. Um sorriso brota nos meus lábios, a felicidade brilha em meus olhos. Com toda a alegria que consome e os lábios cheios de vontade, eu pergunto "pra mim?". Ao passo que a pessoa balança negativamente a cabeça com seu belo sorriso. Abre a caixa lentamente e saca o punhal. Em segundos preciosos apenas posso sentir meu corpo sangrar. Uma punhalada no peito. Por quê?!
Eu me pergunto a todo momento. Talvez, algo que eu tenha dito ou feito. Aos poucos perco os sentidos e a última imagem que tenho e posso ver, é a sombra de alguém partindo.
Abro os olhos. Por alguns poucos segundos em que estive longe da realidade,  pude sentir a dor como se fosse real. Os olhos piscam algumas vezes, tentando conter as lágrimas que por fim foram mais fortes. Molha o rosto, as mãos... A respiração falha por alguns segundos. O peito arfando e queimando de dor me deixa estática. Em apenas um segundo, eu pude sentir que prezo mais a vida do que sempre imaginei. Tenho mais amor ao que sinto e faço valer do que a própria morte, solução pra muitas coisas às vezes.
Enfim, defino-me como eterna amante dos dias e das noites que contei. Creio que não mudaria nenhuma delas e agora tenho a plena certeza de que me faria falta qualquer uma das emoções sentidas frias ou quentes na pele. Até os dias que me fizeram sentir a mais triste e insignificante das criaturas. Até as noites que me fizeram chorar.
Sem qualquer um desses acontecimentos, jamais sentiria o que sinto. Tampouco saberia descrever os sentimentos que afloram e por muitos são mal explicados. Muitas vezes, por faltarem palavras ou ainda por sobrarem e não se saber seleciona-las. Então, como que por uma ligação, me vem a boca as melhores frases para expressar o que a mente pensa e os melhores verbos para conjugar o viver. Logo, sinto um alívio no peito por saber dizer tudo que aflige a alma.
Portanto, creio que não só faria falta a minha presença a mim mesma num pseudo-paradoxo, mas também àqueles que um dia choravam e eu pude por-lhes um sorriso no rosto. Afinal, as vezes a gente precisa mesmo sorrir chorando.

23/08/2007
L.M.

Egolatria

Tenho a alma pesada, cansada, em histeria Palavras presas'esse corpo Se'spremendo pela liberdade Enquanto tento manter algum res...