22.4.10

Eu, detetive



Eu era só papel. Era só caixas, só invenções do meu próprio ser. Era feita de morangos, de chocolate, de andanças pelo mundo. Tinha cheiro de almas passadas, de recordações infantis e de abraços apertados. Daí, resolvi que ia ser diferente. E comecei a me enviar por entre as frestas de vidas quebradas e pensamentos picotados. Virei parasita. E me infiltrando na verdade particular de cada um desse mundo, achei um dom perdido. Empoeirado e lacrado, de um jeito meio único, meio evidente. Estava lá, pra ser tomado por um coração qualquer, que precisasse de ajuda.

Assim começou meu eu detetive. Depois daquele dom de uma tarde inteira de prantos e falta de ar. Senti um frio na barriga, uma dor no peito, um sei-lá-o-que. Me arrependi da falta do talento, da negligencia com os que passaram, com os que choraram ao meu lado implorando um olhar sincero. E doeu até o último fio de alma, até o último suspiro. Fiz aquela promessa. Começou ali, e continuou. Já não era parasita. Segui assim sem parar, sem pensar e só sentindo. Havia uma meta a alcançar, e levaria muito tempo. O passado não volta e o futuro não se sabe, resta só o presente, que envelhece e se renova instantaneamente bem na nossa cara.

Dei assim meus primeiros passos. Entrei nas primeiras vidas de um jeito particular, meio atrapalhado, sem saber o que fazer. Depois peguei o jeito, e hoje apareço, me apresento e me dou de amiga, de graça, de presente. Por quê? Porque minha alma grita por isso, meu coração implora por se doar. E cada doação é única, nova, diferente. Só permanecem o dom e eu. Todo o resto se troca e se confunde. Mas é delicioso fazer parte dessas vidas, uma de cada vez...

É assim, o meu eu detetive não cobra o trabalho, não cansa de andar, vive tomando pancada, soco, pontapé. Aprendeu até a gostar, porque sempre que passa por tudo isso, é por estar no caminho certo, e isso ninguém pode levar. 

Hoje sou feita de sonhos, de beijos, abraços. Sou de pedaços de ilusão, de prantos, de felicidade. De cafuné, cortes de cabelo, pinturas inacabadas e desenhos rascunhados. Tenho cheiro de começo novo, de acreditar, de coração batendo. E não quero mudar. Afinal, virei viciada e dependente desse dom maravilhoso que os homens chamam amor.

2 comentários:

Lygia Carvalho. disse...

Mari, que texto lindo, lindo mesmo! *-*

Ingrid disse...

amiga ... esse é o texto que em relação a todos é o mais lindo ... esse texto realmente parece q fala sobre vc e além disso realmente parece q foi vc q escreveu (entenda sei q foi vc q escreveu a maioria deles ... mais nesse eu enchergo totalmente vc!) é puramente vc no jeito de explicar e "falar" ... enfim ... talvez eu encherguei isso .. pq eu realmente sei quem é a mari ... não mais do que Deus ou vc é claro ... mas sei realmente como vc e quais os seus objetivos ... pq muitas pessoas qndo nos olham não dao nada por nos seja por aparÊncia ou qualquer outras coisas ... mas vc é muito mais do q aparencia ... e é incrivel .. ao contrário do que outros digam .. pra mim o seu jeito de ser, sua a parência, o seu jeito de se vestir (o seu não o do seu pai), todos esses se combinam completamente com o seu eu ...com tudo o q vc senti exatamente como vc disse aí! enfim é isso! eu te amo! sua eterna admiradora e amiga! (obs: esse comentário, foi o mais enorme q escrevi! rs)